Incomum, recheado de polirritmias, contratempos e síncopes, Koenjihyakkei é frenético, e, por incrível que pareça, dançante! Freqüentemente beirando o atonalismo, a banda tem por líder e principal compositor o baterista Tatsuya Yoshida, um virtuose em seu instrumento, considerado um dos melhores do underground japonês, que já trabalhou com o vanguardista John Zorn e a banda sueca Samla Mammas Manna. Yoshida deixa claro em seu trabalho a influência do Magma (que, por coincidência ou não, também foi liderado por um baterista), grupo da década de 70, considerado o criador do Zeuhl, gênero ao qual pertence também Koenjihyakkei. Mas, diferentemente daquela banda setentista, Koenjihyakkei pouco apela para o jazz e parece mais uma incursão atonalista, soando diferente de tudo feito nos últimos 15 anos pela música popular. Os arranjos vocais bem trabalhados, que ouvidos menos acostumados estranharão, feitos numa língua estranha e inexistente, dão uma cara ainda mais vanguardista à irmã japonesa do Magma. Mesmo sem guitarras, a banda é pesada, as cordas que marcam aqui são as do baixo, certas vezes distorcido ao extremo. O clarinete recém adicionado foi uma ótima escolha e, como é impróprio ao instrumento, fornece um peso estranho, quase um grito constante no 4ª e, até agora, último álbum da banda.
Koenjihyakkei pode ser indigesto, mas vale a pena, mesmo o barulho não sendo muito agradável de vez em quando. A música aqui é um soco no estômago como deve ser a música de vanguarda.
1. Tziidall Raszhisst (7:14)
2. Rattims Friezz (7:01)
3. Grahbem Jorgazz (4:06)
4. Fettim Paillu (7:45)
5. Qivem Vrastorr (4:22)
6. Mibingvahre (4:07)
7. Angherr Shisspa (6:34)
8. Wammilica Iffirom (8:39)
Yoshida Tatsuya: bateria e vocal
Sakamoto Kengo: baixo e vocal
Kanazawa Miyako: teclado e vocal
Yamamoto Kyoko: vocal
Komori Keiko: sopros e vocal
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